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O Xadrez da Saúde - Resenha artigo McKinsey & Company

O Observatório Saúde te entrega a primeira resenha, que é uma análise crítica de artigos de relevância relacionados à gestão na saúde. Esta resenha é fruto de artigo publicado pela McKinsey & Company, uma empresa global de consultoria de alta gestão das mais influente do mundo. O artigo analisado é intitulado "Healthcare’s evolving chessboard: M&A capabilities to accelerate long-term strategy ", e foi publicado em Junho de 2021. Vamos lá !

À medida que emergimos da crise COVID-19 as organizações de saúde precisam se alinhar e começar a implementar suas estratégias e planos operacionais para a “era pós-pandemia”, incluindo a resposta à possível interrupção de modelos de negócios tradicionais. A crise trouxe impactos sobre o crescimento na saúde, e empresas que vem buscando a inovação experimentam um aumento de seu crescimento em comparação aos negócios tradicionais.


Na mesma esteira, as organizações de saúde vem procurando desenvolver seus modelos de negócios, e também por isso vemos o aumento nas fusões e aquisições, escalando e desenvolvendo novas capacidades e serviços. O volume de negócios na saúde no ano de 2020 foi recorde.


Pesquisa internacional realizada pela McKinsey&Company com organizações de saúde, descobriu que nem todas as estratégias de Fusões e Aquisições têm a mesma probabilidade de serem assertivas.


Nesta pesquisa, identificou-se quatro tipos de atividades de Fusões e Aquisições para organizações:


- Programática: mais de duas pequenas ou médias ofertas por ano;

- Grandes negócios: um ou mais negócios cujo alvo é a capitalização de mercado superior a 30% do capital de mercado da adquirente e / ou receita;

- Seletiva: menos de dois negócios de pequeno ou médio porte por ano;

- Orgânico: menos de uma pequena oferta a cada três anos.


Em todos os setores, inclusive o da saúde, Fusões e Aquisições programáticas alcançaram retornos totais excedentes mais elevados para acionistas, com menor risco. Fusões e Aquisições seletivas e orgânicas, na maioria das vezes resultaram em retorno negativo; os resultados para compradores de grandes negócios foram neutros em média, com algumas organizações perdendo valor pós-aquisição, algo que vimos claramente com a Fusão da Hapvida e o Grupo Notredame Intermédica. Desde seu anuncio a Hapvida perdeu aproximadamente R$ 3 Bilhões em valor de mercado e a GNDI aproximadamente R$ 2 Bilhões.


Fusão e Aquisição programática é uma estratégia proativa e disciplinada para criar negócios, resultando em uma série de transações relacionadas que apoiam um plano claro que está vinculado à estratégia corporativa.


Criação de valor em grandes negócios


A pesquisa da McKinsey&Company mostra que grandes negócios são "grandes apostas" que podem levar a grandes vitórias ou, com a mesma facilidade, à grandes perdas. Grandes fusões tendem a enfrentar questões culturais mais significativas, bem como mais processos que precisam ser combinados e alinhados. Esses problemas aumentam o número e a escala dos obstáculos de integração.


Com M&A programático, organizações menores são amplamente incorporadas à organização adquirente como parte da estratégia corporativa mais ampla, ou como uma nova unidade de negócio, como por exemplo, a GSC pela DASA, a Amparo Saúde pelo Grupo Sabin. Diferente dos grandes negócios, aqui o processo de integração é menos robusto e as barreiras menores, por isso geram valor mais rápido.


Nos últimos anos, várias empresas de saúde buscaram a integração vertical para criar ecossistemas de saúde (conjuntos de recursos e serviços que integram os participantes da cadeia de valor para melhorar a experiência dos pacientes e reduzir ineficiências), tendência que continua. Muitas organizações de saúde viram retornos de investimento favoráveis ​​nos últimos anos, e também viram seus balanços fortalecidos, é o caso da Hapvida, da GNDI, da DASA, da Rede D’Or, do Mater Dei Saúde.


Dado este desafio inerente, as organizações de saúde, ao considerar esses eventos transformacionais, devem aprender três lições para mitigar o risco e aumentar as chances de sucesso:


- Um grande acordo horizontal em um setor em evolução como o da saúde, pode ser arriscado. As empresas podem precisar mudar a dinâmica do setor para evitar baixo desempenho.


- Grandes negócios tendem a ter melhor desempenho em organizações maduras, mesmo assim com grandes desafios.


- Poucas empresas de saúde têm experiência real em executar integrações em grande escala e executar o risco, e subestimam o investimento de tempo e recursos que integrações bem-sucedidas exigem.


Capacidades que impulsionam o sucesso de fusões e aquisições


Organizações de saúde podem aumentar valor em fusões e aquisições e melhorar suas chances de sucesso ao adotar práticas recomendadas por este mercado:


- Plano de M&A: Um M&A claramente articulado que aborda como, por que e onde as organizações usarão o M&A para alcançar suas estratégias corporativa. Um projeto leva ao sucesso em todo o processo de negociação, forçando conversas e alinhamento interno prévio dentro do equipe de liderança, bem antes de qualquer alvo ganhar impulso. Podemos exemplificar o caso da Rede D’Or, que tem um plano claro com execução acelerada.


- Compra proativa de negócios podem criar um ativo dinâmico direcionado, identificando e monitorando ativamente potenciais negócios em todo o mercado, buscando oportunidades potenciais, como por exemplo o caso da DASA no investimento em genética focando já no mercado da medicina preditiva, e em tecnologia focando na Inteligência Artificial em saúde.


- Forte são os M&A que envolvem alvos potenciais desde o início, atualizando seus argumentos de compra e venda à medida que aprendem mais sobre as organizações-alvo. Eles orientam seu foco em torno de metas, com um visão para o futuro e causas para a ação comum a ambas as partes, como foi o caso icônico do Hospital Orion em Goiânia e o Hospital Israelita Albert Einstein.


- Due dilligence abrangente não só financeiro, jurídico e tributário, mas principalmente na diligência estratégica e cultural, algo incomum no mercado de saúde, que vem trazendo prejuízos enormes à todos os stakeholders e sharehorders.


Fusões e aquisições podem ser uma alavanca importante para as organizações de saúde para moldar e inovar suas ofertas em face dos ventos contrários da indústria. Organizações com capacidade para diversificar e crescer por meio de fusões e aquisições podem estar melhor posicionadas e prosperar, beneficiando assim seus colaboradores, pacientes e comunidades locais.


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