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O dilema das Unimed's: ao passado ou ao futuro ?

Atualizado: 12 de abr. de 2021



A Saúde, um mercado em constante transformação que busca gestão e sustentabilidade para sobreviver, vem exigindo cada vez mais alta performance operacional para entrega de valor para o beneficiário e a viabilidade econômica-financeira das operadoras de saúde, que a cada ano veem suas margens serem testadas e desafiadas, o que obriga seus gestores à um "voo às cegas", sem instrumentos e muito menos um plano de voo.


Vimos um movimento de consolidação do mercado de saúde com Rede D'Or, HapVida solo, mais recente HapVida com Notredame Intermédica, Grupo DASA, breve a Rede MaterDei, Hospital Care e Kora Saúde, e fundos como a XP, a Athena Saúde, entre outros, todos com caixa recheado, com gestão de alta performance e inteligência operacional. Veremos esta lista ser ampliada ainda mais, em breve.


É um movimento real e inquestionável, não podemos negá-lo e muito menos combatê-lo, é como uma tsunami, com uma diferença, ela não passa. Este alerta de mercado já existe há tempos, alguns se prepararam, outros negaram sua possibilidade, mas estes últimos estão vivendo e viverão tempos difíceis, infelizmente.


Dentre vários outros anúncios, vimos ontem (6 de abril de 2021) o anúncio da venda (assunção de responsabilidade de risco) da carteira de 10.000 vidas que são atendidas pela Unimed Natal e pela Unimed Barra Mansa para a Qualicorp, um movimento que reforça a estratégia de regionalização, fortalecimento do relacionamento da Qualicorp com as Unimed's e a ampliação de acordos em diversos cantos do país. Além disso, recentemente a Rede D'Or apresentou sinais estratégicos, que nos fazem acreditar que o maior grupo hospitalar do país pode firmar novas parcerias com as Unimed's, que vem sofrendo uma forte concorrência das operadoras verticalizadas. Vale lembrar também que a Rede D'Or e a família Moll aumentaram sua participação acionária na Qualicorp para 22,4%.


Será que não precisamos refletir, considerando as condições atuais da saúde suplementar, as condições de crescimento muito pequeno das Operadoras Unimed's em todo Brasil, contrário aos das verticalizadas que registraram crescimento importante, e somar à esta reflexão o movimento de consolidação presente e futura, além das demandas de produtos low cost coordenados, baseado em protocolos, nas realidades regionais de cada uma das singulares Unimed's do Brasil?


Minhas reflexões me trouxeram ainda mais dúvidas:

1- Será que uma das solução não passa por termos no mercado uma operação única Unimed, que centralize a gestão, a estratégia para se fortalecer e manter o somatório dos clientes das singulares no Brasil, que chega à quase 18 milhões, e verdadeiramente assumir a conjugação verbal "SOMOS"?

2- Ou será que não precisamos voltar às origens, ou seja, separar o que é a Cooperativa Médica, que fomenta o trabalho médico através de seus médicos cooperados, da Operadora, onde existe um conflito de interesse em sua raiz, pois a cooperativa tem como princípio fomentar o trabalho do médico, respeitando sua autonomia, evitando a intermediação de empresas, conforme registros do Dr. Edmundo Castilho, que fundou a primeira cooperativa médica em 1967 na cidade de Santos (SP), mas por outro lado a Operadora não precisa de ter controles, protocolos, coordenação, e outras práticas de gestão? Será que possível conviver com esta dicotomia dentro do Sistema?

3- Ou finalmente será que a saída é continuar negar um cenário que exige alteração imediata, e continuar afirmando que é o maior sistema cooperativo, usando o concordância verbal errada "SOMOS", sendo que o correto é "SAO", pois há pluralismo de gestão, de estratégias, de dores, e de muita preocupação?


A única resposta que tenho é: O Status quo não é mais uma opção estratégica.



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